"Dias assim, acinzentados,
Dão-me a noção de que tudo é transmutável e estável.
Que a tristeza é uma mera ilusão,
Pois acima das nuvens escuras o sol nasce normalmente.
A chuva cai, lavando nossos olhos,
Tirando de nós o peso dos compromissos,
Dando-nos a liberdade da prisão caseira,
A desculpa universal:
Está chovendo!...
O perfume da terra molhada impregna o ar,
O cheiro da infância, da paz, da ânsia,
Traz-nos o que há de mais belo nas lembranças,
As risadas de criança que um dia demos
Em um dia cinza.
O frio aconchegando as famílias,
Aproximando as pessoas,
Iniciando conversas que não existiriam se não estivesse cinza.
É praguejado e é adorado.
Congelando lembranças que um dia nos aquecerão
Em um dia frio,
Um dia cinza."
...
"Enquanto pessoas perguntam por que, outras pessoas perguntam por que não?
Até porque não acredito no que é dito, no que é visto.
Acesso é poder e o poder é a informação.
Qualquer palavra satisfaz. A garota, o rapaz e a paz quem traz, tanto faz.
O valor é temporário, o amor imaginário e a festa é um perjúrio.
Um minuto de silêncio é um minuto reservado de murmúrio, de anestesia.
O sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia, com a narrativa.
A vida ingrata de quem acha que é notícia, de quem acha que é momento,
na tua tela querem ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela que não tem gesto,
quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto."
...
"Num reino distante, havia um rei ateu que não acreditava em Deus. Um dos seus servos sempre dizia:
...
"Num reino distante, havia um rei ateu que não acreditava em Deus. Um dos seus servos sempre dizia:
- Alteza, confie em Deus por que Ele existe e é bom !
Um dia, o rei saiu para caçar e entre seus homens ia seu servo de confiança. De repente, o rei e seu servo foram acuados por um grande leopardo.
"Um ferreiro, depois de uma juventude cheia de excessos, decidiu entregar sua alma a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas, apesar de toda a sua dedicação, nada parecia dar certo em sua vida. Muito pelo contrário: seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.
Quando o leopardo atacou o rei, o servo conseguiu atingi-lo e matá-lo de um só golpe, porém não conseguiu evitar que a majestade perdesse o dedo mínimo da mão esquerda.
O rei furioso e sem mostrar gratidão, gritava:
- E agora, o que você me diz? Deus existe e é bom? E como fui perder meu dedo?
O servo placidamente lhe respondeu:
- Meu rei, apesar de tudo, posso lhe dizer que Deus existe e salvou as nossas vidas.
Indignado com aquela resposta, o rei mandou prender o servo numa cela no calabouço.
Tempos se passaram, e o rei saiu novamente para outra caçada e, desta vez, foi atacado por canibais. O rei foi capturado e levado para ser servido num grande banquete oferecido aos deuses dos selvagens. Estava prestes a ser levado para o aldeirão quente quando o sacerdote dos canibais, ao examiná-lo, observou furioso:
- Este homem é defeituoso. Falta-lhe um dedo. Não pode ser sacrificado.
Imadiatamente o rei foi solto, e chegando ao palácio, mandou liberar seu servo e pediu que viesse vê-lo. Ao encontrar o servo, abraçou-o dizendo:
- Meu caro, Deus realmente existe e foi bom comigo. Hoje escapei da morte justamente por que não tinha um dos dedos.
E Continou:
- Mas ainda tenho uma dúvida: se Deus realmente existe, por que permitiu que você fosse preso de maneira tão cruel, logo você que é tão crente?
O servo sorriu e disse:
- Meu rei, se eu estivesse livre, teria ido com Vossa Majestade á caçada e seria sacrificado em seu lugar, pois não me falta dedo algum."...
"Um ferreiro, depois de uma juventude cheia de excessos, decidiu entregar sua alma a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas, apesar de toda a sua dedicação, nada parecia dar certo em sua vida. Muito pelo contrário: seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.
Uma bela tarde, um amigo que o visitava - e que se compadecia de sua situação difícil - comentou:
- É realmente muito estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus, sua vida começou a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas, apesar de toda sua crença no mundo espiritual, nada tem melhorado.
O ferreiro não respondeu imediatamente. Ele já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida.
Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, começou a falar e terminou encontrando a explicação que procurava.
- Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isso é feito?... Primeiro, eu aqueço a chapa de aço num calor infernal, até que ela fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado, e aplico vários golpes, até que a peça adquira a forma desejada. Logo, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o vapor, enquanto a peça estala por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir este processo até conseguir a espada perfeita. Uma vez apenas não é suficiente.
O ferreiro deu uma longa pausa, e continuou:
- Às vezes, o aço que chega às minhas mãos não consegue agüentar este tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então, eu simplesmente o coloco no monte de ferro velho que você viu na entrada da minha ferraria.
Mais uma pausa, e o ferreiro concluiu:
- Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Tenho aceitado as marteladas que a vida me dá e, às vezes, sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é : "Meu Deus, não desista até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser, mas jamais me jogue no monte de ferro velho"
...
Os eu
"Um dia, vagando por minha mente,
encontrei lembranças, pensamento e sentimentos adormecidos,
personagens de um livro, uma vida vivida e incompleta. Vi vultos dos meus fantasmas. Parasítas mentais! Meus personagens que eu criei.
Vivem em mim, vivem de mim, eles são a minha evolução e a minha destruição,
tomaram formas e vontade próprias e eu me subdividi em seres: eles.
Pessoas rastejantes que habitam minha mente sem eu as conhecer."
encontrei lembranças, pensamento e sentimentos adormecidos,
personagens de um livro, uma vida vivida e incompleta. Vi vultos dos meus fantasmas. Parasítas mentais! Meus personagens que eu criei.
Vivem em mim, vivem de mim, eles são a minha evolução e a minha destruição,
tomaram formas e vontade próprias e eu me subdividi em seres: eles.
Pessoas rastejantes que habitam minha mente sem eu as conhecer."
...
"Saber falar direito não é, necessáriamente, saber conjugar o verbo em seu sujeito, saber pontuar as palavras na ponta da língua nem pausar nas vírgulas.
Para saber falar correto primeiro tem que saber escrevê-lo com um R só, para só depois aprender que é com dois. Tem que comer das palavras cruas que se vendem nas ruas e aprender a pechinchar para que saiam baratas, fazer aulas de reforço com os avós criados na roça, que nunca se quer foram à escola, tem que ler o acervo de jargões dos adolecentes que crescem tão rápido quanto as gírias.
Antes da língua culta deve-se fazer doutorado na coloquial, saber que na vida todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser e que todo verbo é livre para se direto ou indireto, que nenhum predicado será prejudicado por ser quem é, nem a frase nem a crase nem a vírgula e ponto final. Afinal a má grámatica da vida nos põe entre pausa, entre vírgulas, e estar entre vírgulas pode ser aposto e eu aposto o oposto que se cativa a todos sendo apenas um sujeito simples. Quando algúem te disser, está errado ou errada, que não vai S na cebola, que não vai S em feliz que o X pode ter som de Z e o CH pode ter som de X acreidite, errado é aquele que fala correto e não vive o que diz."
