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sábado, 10 de dezembro de 2011

As Pombas


Vai-se a primeira pomba despertada ... 
Vai-se outra mais ... mais outra ... enfim dezenas 

De pombas vão-se dos pombais, apenas 
Raia sanguínea e fresca a madrugada ...
 

E à tarde, quando a rígida nortada 

Sopra, aos pombais de novo elas, serenas, 
Ruflando as asas, sacudindo as penas, 

Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam, 
Os sonhos, um por um, céleres voam, 

Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam, 
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam, 

E eles aos corações não voltam mais...

Raimundo Correia

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